Personal: Marrquexe - uma terra de emoções


Vou apenas colocar um texto que escrevi em 2014 no caminho de regresso ao barco na minha primeira visita a Marraquexe: 

"As paisagens são todas castanhas e por vezes aparecem pequenos tufos de verde. Ontem estive num dos sítios que sempre desejei conhecer: Marrocos! Lá há alegria e cor. Tudo parece, apesar de todas as circunstâncias, mais feliz. Talvez porque para eles tudo é demasiado simples. O caminho ainda é longo até Marraquexe, e, por isso, pus os phones nos ouvidos e pensei. Não quero saber do guia turístico, e pensei. Desfruto de todo este castanho e pensei. Pensei em tudo e em nada. 

Tenho ouvido com regularidade, por vezes até em tom de inveja: “que bela vida de turista!”. Na verdade não me posso queixar da facilidade que, neste momento, é para mim conhecer lugares fantásticos, culturas fantásticas, pessoas fantásticas, e sobretudo aprender as diferenças do mundo.

Todos sabemos que não é fácil sair da zona de conforto e arriscar. E apesar de conhecer o mundo é algo que sempre desejei, nas circunstancias que foram, não foi de todo fácil. Aprendi aqui a esconder a lágrima porque cá todos temos que ser felizes perante os passageiros. Aprendi a gerir distâncias e a saber que, quando é verdadeiro, isso é apenas uma virgula nas nossas histórias.

 Sim, sou turista, mas na vida. 

O trabalho aqui não é fácil ao contrário do que se imagina. Há stress, mau humor, cansaço, personalidades horríveis de lidar, diferentes formas de pensar e agir que criam problemas desnecessários.
A cor da terra dentro de um barco pode ser um castanho seco de Africa, mas é a forma como o vemos, que nos pode ajudar a tornar felizes ou não aqui dentro.
 O castanho de Marrocos é vivo, alegre porque repito, é simples.

 Esta experiência (trabalhar num sítio destes) tornou-me, espero, melhor pessoa. Aqui são mais de 100 nacionalidades e cada um de nós tem que saber respeitar os javardos dos filipinos a comer e a berrar, os chineses que não sabem falar inglês, os alemães sempre a reclamar por coisas parvas, os, os, os. Aqui aprende, quem ainda não sabia, que um humano é na mesma um humano tenha riscas no ombro ou esteja a limpar o chão. Aqui aprende, quem ainda não sabia, que a diferença não é boa nem é má, é só diferença. Tal como este castanho não é bonito nem é feio, é castanho. Mas em Marrocos, é a cor com que pintam a vida.

Com Fernando Pessoa sei que de todas as pedras se fazem castelos e ontem em Marrocos vi demasiados castelos. Não eram bonitos nem feios, eram castelos de sacrifício e pedras. Aprendi mais uma vez a lição que já sabia.Se sou turista como dizem, acreditem que o sou de sacrifício e pedras que fazem castelos, que apenas são castelos. Mas em verdade, sou mais turista de vontade! 

 Trouxe este castanho no meu sapato e faço questão de não lavar, porque agora, em cada passo que der, carrego comigo esta vontade de ser turista em castanho de Marrocos. Simples. E no final, quando a sola se acabar, descansarei no castelo na companhia de apenas aqueles que sempre foram castanho de Marrocos em mim."


BOA VIAGEM

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